domingo, 9 de junho de 2013

Reencontro... Momento Sublime


Sempre me decepcionei com os outros, porque tinha muitas expectativas no agir daquele que estava em minha volta, convivendo comigo de alguma forma. Como amigo, parente, irmão, irmã, tanto espiritual, de santo ou carnal, como mestre, superior, chefe, comandante, colega de trabalho, sei lá em várias funções e características. Eu dizia sempre que fulano ou fulana eram meu amigo ou minha amiga e ouvia do meu pai, que amigo é esse de mão única, o que vejo é que tu estas junto a eles e eles não, tu ajudas e não és ajudada, tu te doas e não recebes. Tu te estressas porque queres dar conta de todo mundo e ultrapassas teus limites sempre sem cuidar de ti ou da tua vida.Pensava que minha vida era essa, cuidar, doar, fazer sempre pelo outro. Pensava que quando eu mais precisava de um ombro amigo e não tinha é porque na realidade eu não o precisava, isto é, que eu podia olhar melhor para o meu ser e perceber, enchendo o meu copo de carência e me fortalecer. Tornei-me um ser forte, uma fênix.  Isso me faz bem.Hoje continuo acreditando que minha vida é doar, fazer a caridade, porém vejo que o numero de pessoas que convivem comigo diminuíram acentuadamente. Engraçado isso. Por vários motivos, uns de forma naturais foram se afastando e deixando a saudade e lembranças e outros por possuirmos opiniões diferentes e por ter razão.O que é mais interessante é que não vejo este movimento como algo negativo ou ruim. Vejo como a seleção natural da vida. Há momentos para tudo nesta vida e o Tempo é o nosso maior aliado.Quando nascemos para a vida de doação precisamos buscar a melhorar como pessoa e quanto mas buscamos o conhecer a ti mesmo e aprofundamos neste processo, mais iluminamos nossas sombras, nosso inconsciente e trazemos para o consciente é possível compreender as mazelas humanas e os diversos dramas que o ser humano vive e  ficando serenos e tranquilos perante o outro.Tenho vários mestres. Mestres humanos que conviveram ou convivem comigo. Tenho uma adoração por cada um deles. Porém cada um deles, humano como são ou foram, também viviam nos seus dramas, com seus egos inferiores e superiores, num momento mais positivo noutro mais negativo, todavia continuam a ser meus mestres porque a mim basta o que eles transmitem da sua sabedoria. O que me importa é a essência, é o melhor de cada um, o que eu podia de aprender para entender, conhecer e principalmente para me lapidar.Como é difícil a lapidação individual e como dói se apegar de valores, idéias, conceitos e preconceitos, desapegar dos padrões mentais e dos padrões do DNA, encarar a vida sem máscaras, sem o véu da ignorância, sem justificar os erros e reações. Afinal, como dizia Confúcio, o Superior atribui a si próprio a culpa e o inferior aos outros.O caminho à Luz é um caminho solitário porem nos transformamos nos Encontros e não sozinhos e nos encontros vamos encontrando nossos Irmãos da Luz e formando nossa verdadeira Familia.Hoje me sinto pertencendo a minha verdadeira Familia, isto é muito bom, sentir-se parte do todo, sentir-se reconhecida na essência, ser amada sem nada esperar, sem nenhuma expectativa, nem rótulos, apenas Ser.Importante é participar dos Encontros que a sincronicidade do Universo nos proporciona.Importante é Conhecer, Aprender, Entender, Servir e Saber e neste ciclo piramidal evoluir.Axé de paz e luz!

sábado, 11 de maio de 2013

Dia das Mães

Uma história da minha querida mãe que compartilho nesta data especial.
Feliz dia das Mães!



Há cinco anos passados, numa noite aparentemente tranquila, minha mãe, entregue ao sono dos justos, teve um sonho.

Um sonho intenso e muito simbólico.
Sonhou que caminhava numa imensa montanha encantada, toda coberta por uma grama verdejante e úmida e, em cada passo sentia nos seus pés as gotas de orvalho caídas naquele amanhecer. As pedras da montanha eram incrivelmente brancas como estivessem cobertas por neve.
Quando percebia o horizonte, olhando para baixo via o mar tão belo que não conseguiu traduzir o brilho intenso da cor verde e azul que alternava sincronicamente pelo movimento das marés.
Enquanto caminhava pela trilha da montanha, sentia o ar fresco que docemente sacudia os fios brancos do seu cabelo através de uma leve brisa.
Como um passo mágico, viu aproximar quatro índios anciãos, vestidos com roupas de couro branco, cheia de franjas e em suas cabeças havia cocares enormes onde as penas brancas predominavam e, carregavam um standard feito de couro de animal. No alto do standard estavam penduradas várias penas de aves grandes e no couro possuía o desenho de uma enorme águia branca.
Quando os anciãos chegaram perto da minha mãe, saldaram-na e sorriram entregado-a o standard dizendo que era um premio merecido, neste momento os anciãos voltaram pelo mesmo caminho até sumirem no ponto mais alto da montanha encantada.
Naquela manhã, minha mãe custou a acordar de tal profundidade foi o sonho. Sentiu-se diferente e curiosa. Queria saber e entender o que este sonho significava.
Quando me descreveu o sonho, incrivelmente, meu coração apertou e naquele momento eu soube que a missão tinha chegado ao fim. Os anciãos espirituais trazem em sua simbologia a sabedoria; as penas de aves grandes, a águia branca são representações do Grande Espírito. Somente os maiores guerreiros e Curandeiros usavam penas de águia. A águia por si só possui uma simbologia na visão holística do saber, da transmutação, do acesso ao ponto mais alto para obter a visão do todo.  A medicina da águia é o poder do grande espírito, a conexão com o divino. "Não basta ouvir o canto dos pássaros, é preciso entender a letra" (São Francisco de Assis) Nada comentei, fiquei em meditação durante dias.
Passando algumas semanas, a pedido da minha mãe, busquei contatos com várias pessoas que vivenciam as tradições xamanicas e levei-a em todas para que ela contasse o sonho e as ouvisse-as. Cada qual com seu sentimento e propósito foram ouvindo e aceitando a verdade dos sonhos, numa releitura holística, integral com todo o poder dos povos ancestrais. Sorriam, abraçavam permanecendo em silencio e na aceitação, conversavam sobre a vida, os momentos sagrados, a fé; deixando as conclusões para que a minha mãe sentisse em seu coração e ela sentiu e ficou no silencio, observando todo o processo de desapego.
Foram cinco anos que vivemos em silencio e apreciando cada movimento, permitindo viver intensamente cada processo para o desapego.
Quando o propósito é reconhecido e sua missão chega ao fim, o premio é certo.
Minha mãe não era doxomaníaca, muito pelo contrário, era simples, humilde, graciosa, determinada e sua missão era a Fé.
O propósito era nos ensinar a ter Fé, sentir a Fé, vivenciar a Fé, SER FÉ.
Fé é acreditar. Acreditar é aceitar que somos parte do todo e que tudo esta conectado e que a sincronicidade depende da observância e da permissão em estar vivendo o propósito. É saber Quem Eu Sou? De forma simples, humilde, verdadeira, serena e estar preparado para receber e doar e curar e encontrar e transmutar.
Feliz Dia das Mães.
Saudades Eternas.
Gratidão.
Sentimentos de completude.
Estou em paz!
Fique em paz!


sexta-feira, 26 de abril de 2013

ATOTÔ OBALUAÊ SAPATA, silêncio, Obaluaê chegou.....


Irmãs e irmãos de fé e de caminhada evolutiva,

Estou vivendo meu sabbat, isto é, um período de "recolhimento do meu ser", por isso tanta ausência neste espaço.

Hoje resolvi conversar sobre um orixá da mitologia africana, OBALUAÊ ou OMULÚ, “força do meu Ori”. Orixá antigo de origem jeje e assimilada posteriormente pelos iorubas.



Dentro dos vários rituais de Umbanda, o ritual de Almas e Angola foi o que abraçou este orixá com muito amor e devoção. Tanto que Obaluaê é o orixá de fundamento dentro de Almas e Angola, haja vista possuir dois assentamentos no templo, um no altar completando a tríade do ritual e outro, anterior, na cangira das Almas, isto é, na Casa das Almas.

Obaluaê é um orixá severo. É o carrego da Severidade Divina. Sua severidade implacável leva seus filhos à busca pelo autoconhecimento e evolução espiritual. Aquele que se recusa sofre as dores físicas e necessidades materiais. É o orixá que nos auxilia na nossa transformação para tornarmos um Ser Humano melhor.

Na Umbanda do ritual de Almas e Angola, apenas os médiuns “coroados” para o orixá Obaluaê utilizam o filá de palha, os demais médiuns utilizam, durante o transe de Obaluaê filá de renda branca.

No ritual de Almas e Angola é Obaluaê – o novo – manifestação jovem, guerreiro, caçador, lutador, vibra nas doenças e epidemias, tanto curando quanto as espalhando; Omulú – o velho – manifestação anciã – sábio, feiticeiro, guardião, vibra na morte, tanto a física quanto as emocionais, sua energia é a da calunga pequena.

Obaluaê, em todas as manifestações, representa a manifestação de Deus entre o mundo terrestre e o espiritual. Orixá que utiliza um filá de palha para esconder sua aparência. Sob sua palha, seus filhos se sentem protegidos.

Seu dia semanal é segunda-feira, comemora-se dia 16 de agosto e 17 de dezembro; seu símbolos é o Leguidiba, Xaxará de palha da costa, cruz das almas e o Filá, seu elemento é terra, seu chakra é o umbilical – yorimá, sincretismo é com São Roque, São Bartolomeu, São Lázaro, São João Batista; comida: duburu, arroz branco, pão dormido, sarapatel; bebida é a laranja lima, leite, água mineral;  suas cores, preto e branco; vermelho, preto e branco, palha; saudação Atotô que significa silêncio.

Os filhos desse orixá são masoquistas e somatizam o sofrimento físico e psicológico, principalmente aqueles que não aceitam as transformações exigidas pelo orixá. Buscam a solidão e mesmo tendo um grande círculo de amizades, seu comportamento seria superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o mundo e guardando sua intimidade para si próprio. Pela experiência inerente a um orixá velho, os filhos do Obaluaê oculta sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos outros e seus comentários não são prolixos e superficiais, mas secos e diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si próprio.

Os filhos que aceitam os processos e compreendem o propósito trabalham em busca de sua cura integral e aceitam seu dom de curar a si e aos outros.

Sendo filha desse orixá me sinto acolhida e protegida, quando adoeço meus sentimentos são de sofrimento, minha consciência chama atenção que estou perdendo algo que não me serve mais e percebo a legião de curadores espirituais – Anjos, Espíritos, entidades, Guias, Irmãos de Luz, Mestres e me entrego a cura e logo sou uma fênix erguendo-me com uma imensa força e me torno outra pessoa preparada para vivenciar mais um processo. 

Faço parte do ciclo evolutivo da minha vida. Somos Um. Somos Umbandistas.

Axé de paz e luz!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Novo Ano, Vida Nova, Novas Escolhas

Saravá, Namaste, 

Irmãs e Irmãos de fé,



Findamos o ano com muita gratidão numa linda homenagem as divindades que nos enche com o amor Sagrado. Vivemos e manifestamos o sagrado em todas as atividades, a consciência do SERVIR foi alimentada pelo exercício da caridade, da fé e do amor. 

Fomos felizes, por isso neste momento só temos a agradecer.


Agradecemos a Deus pelas Graças e Glórias alcançadas; aos Mestres da Luz pela condução no processo de consciência, pela cura e pelo Amor guiado pelo Mestre da Luz Jesus; a Energia Divina dos Orixás pelas inúmeras oportunidades de crescimento, abundancia, amor, força, disciplina, consciência, prosperidade, alegria, felicidade, contentamento, felicidade, fé, esperança, harmonia, equilíbrio, proteção, liberdade de vínculos emocionais, união, fraternidade, paciência, honestidade, verdade, transparência, sucesso em todas as coisas; aos irmãos de fé, que fazem nosso templo um ponto de luz, pela determinação, fraternidade, união, doação, zelo, espírito de luta, alegria, cuidado, proteção mutua, perseverança, serviço, disciplina, abraços, orações, meditações, homenagens, festas, alegria e em todos os dias; a todos os irmãos de caminhada evolutiva por fazer parte nas campanhas sociais, nas palestras e cursos, nas homenagens e nas superações, nas doações, nos atendimentos, nas alegrias; a ancestralidade por fazer existir nossa casa e ela existe para Servimos.


O ano de 2012 cumpriu as expectativas imantadas pelos orixás que o regeram. Quando refletimos percebemos o quanto fomos envolvidos pela energia de alegria, abundancia, prosperidade, persistência, concretizações, esperança, momentos de resistência, resignação, aceitação, solidariedade, compaixão, confiança. Vivido pela fé e pelo equilíbrio da intenção. 

O novo ano vem com força total. 




Ano de 2013. 


Estamos vivendo o segundo milênio que é regido por Ogum. A energia do forte vibra com intensidade e vamos vencendo muitas batalhas. 


O ano 2013 é o ano da ESPERANÇA. Esta sob os desígnios de Obara que movimentará vibrações de abundancia e prosperidade, principalmente no que concerne a vida material. Financeiramente será um ano nobre aos humildes de coração e aos despegados. Aos que buscam prosperidade financeira e material, devem primeiramente aprender a silenciar sobre seus projetos e a determinar por onde começá-los. 


Este ano será muito prospero porque trará luz para dar clareza no caminho melhor a seguir, dará exatidão, direção, sem indecisões, indo à busca daquilo que deseja.


Ano da resignação aos sofrimentos físicos, emocionais e espirituais. 


A consciência de que todas as situações da vida são transitórias é primordial neste ano. 


A profunda fé assegurará a vitória. 


Muitas pessoas perceberão seu potencial em curar por meio das mãos e haverá muita cura por meio das terapias alternativas.


Orixás que regerão o ano de 2013 nos caminhos de Obará:  Xangô estará regendo este ano com várias influências, dentre delas Exú, Iansã, Oxossi, Ossaim, Logunedé.


Chamamos a atenção a duas divindades que estarão agindo neste ano de 2013 por trás dos panos. Viveremos o ano 13 de segundo milênio. Ano 13 é ano regido pela Divindade Nanã, moduladora de Oxalá. Orixá que rege o barro, o barro que o homem foi modulado para receber a vida. Nanã é a divindade da transformação, da morte em todos os contextos. Estará regendo com muita força com influências em Obaluaê trazendo outros mistérios no ano.  No seu negativo influencia a morte coletiva, desmoronamentos, a terra em movimento recebendo


Ano de muitas oportunidades, as pessoas possuirão força de vontade, muitas situações haverão de resolver inesperadamente. Ano para soluções de casos judiciais difíceis, os rompimentos de casos amorosos construídos pela ilusão serão constantes no decorrer o ano.

Ano positivo para os profissionais da área da justiça. 

Na área da saúde é necessário cuidar mais da circulação sanguínea, do sistema Urinário, casos de aumento de depressão, muita gente com enxaqueca. Baço e pâncreas deverão pontos vulneráveis.  


A transformação do SER pela busca da consciência será o ponto forte.


Elemento: FOGO e TERRA


O negativo do ano estará na vida profana, nas incertezas do caminho, nos relacionamentos incertos e inseguros. Haverá tendência muito grande a traições entre casais e amizades.


A grande lição do ano:  O peixe morre pela boca. 


Estamos na transição das energias, aproveitem este momento para planejar seu ano, faça um projeto para cada área de sua vida: família-amigos, carreira, finanças, social, espiritualidade e defina as etapas e tarefas para atingir seus objetivos. Esta estratégia é muito positiva para vivermos com beleza e alegria o ano.



Na certeza da proteção Divina e que estaremos juntos em 2013, comunicamos que nosso retorno será após o dia 15 de janeiro, onde publicaremos nosso calendário.


Desejamos a você, irmão de fé e de caminhada evolutiva, a vossa família um excelente NATAL e um próspero ANO NOVO, repleto de paz, alegria, saúde, com a certeza de que estaremos sempre juntos nesta caminhada.


BOAS FESTAS!


Venha 2013, nosso coração esta aberto para viver todas as maravilhas.



Axe de Paz e Luz!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Intolerância Religiosa, suas causas e contradições




A intolerância religiosa contemporânea nos leva a reflexões de muita complexidade. Não se ter apenas uma visão pragmática, porque nos levará a permanência das causas e nada modificará, pois estaremos fortalecendo os interesses de uma cultura de guerra imposta a milhões de anos. Esta cultura de guerra permite a manutenção da disputa, da competição, do poder;  das crenças religiosas, imbuindo aos crentes à ideologia da fé cega, fanatismo, racismo, desamor, desrespeito, descrença e do medo.

 
Nasci na classe social menos favorecida de Florianópolis e Umbandista. Meu primeiro batismo foi no Centro Espírita de Umbanda Caboclo Turi, com um mês de vida. Fui criada na Umbanda com sua filosofia, praticas e artes. Tudo era belíssimo até o momento que fui estudar na escola de ensino fundamental. Minha mãe, professora dedicada, já me inserindo ao bom estudo, buscou inserir-me num colégio de “freira” com bolsa de estudo integral. Neste dia começou o drama na minha vida. A aula de religião, desde o pré-escolar, me conduzia a crer que a querida Umbanda era coisa do mal. Na metade daquele ano me fiz ser expulsa para desespero da minha mãe. Não tinha clareza o que me fazia ser tão peralta com  6 anos de idade já enfrentava a dislexia que me acompanha até os dias de hoje, e que dificultava muito minha vida escolar, além da  falta de indulgencia das “irmãs de caridade”.  Foi muito difícil e eu fui para uma escola estadual. Mesmo mudando de escola quis entender que Deus era aquele que estava sendo ensinado nas escolas. Busquei fervorosamente fazer a primeira comunhão aos 7 anos, porque precisava entender este Deus. Segui os preceitos cristãos católicos e não compreendia Deus, porque na igreja pregavam muita coisa diferente da minha querida Umbanda que aprendi a amar com todo o meu Ser. Mesmo vivenciando e sendo católica eu era constantemente chamada de macumbeira ou filha de macumbeira. Nunca fui convidada a participar de aniversário de “amigas” porque eu era macumbeira, era filha de macumbeira.Desisti de ser católica. Fui viver a vida de forma descrente. Ser umbandista era ir para o inferno e ser católico também, afinal Deus punitivo não era coisa boa. A adolescência foi difícil sem uma crença. Não queria viver estigmatizada, quis esta inclusa numa sociedade e o que aprendi é que a sociedade esta doente. Fui ser evangélica da Deus é amor. Que amor que nada. Logicamente, todas as religiões são boas pelo potencial do religare não pelos seus condutores. Verdade que Deus é amor, mas nos templos, entre os poderes dos dirigentes só vivenciei a cobiça, do poder do controle dos superiores aos menos favorecidos de conhecimento. Só que eu busco conhecimento permanentemente. Sou geminiana. O estigma que eu carregava novamente foi cutucado dentro da igreja e fui embora. Estigma por estigma, fui viver a minha verdade. Sou Umbandista graças a Deus. O estigma foi vivido por mim e por várias outras pessoas é até hoje um vírus que espalha uma doença terrível junto à única raça que conheço. A raça Humana.  Já fui repudiada por ser “branca” inclusive dentro do movimento negro; já fui repudiada por ser Umbandista pelos candomblistas e pelos espíritas. O estigma é um mal criado pela cultura de guerra para aniquilar sua, minha, nossa identidade.

Vimos falar sobre a intolerância religiosa, porem para adentrarmos neste tema é necessário observar várias facetas e intenções por trás de cada movimento e manifestação individual e coletivo, para compreender e então extingui-la. Sim, precisamos compreender as facetas da intolerância para poder criar estratégias para a extinção desse mal que nos aflige.
Primeiro precisamos entender a intolerância religiosa. Intolerância é a falta de tolerar. TOLERAR, conforme o dicionário significa:
1. Sofrer o que não deveríamos permitir ou o que não nos atrevemos a impedir.
2. Consentir; permitir: suportar; aguentar; admitir, Aceitar com indulgência – ACEITAR (grifo nosso).

A tolerância é a “boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas”. A tolerância precisa ser transmutada e passar pela aceitação que significa receber com gratidão. Aceitar a Verdade Divina sobre todas as coisas é uma questão Sine qua non. Quando aceitamos a Verdade, aceitamos as diferenças, aceitamos o amor, aceitamos o outro, e encontramos a paz em nós mesmos. Sim aceitar as diferenças é nos permitir viver em paz.

ACEITAR[1] o outro é se colocar na posição do outro. O Outro que falamos é o nosso irmão. Sim irmão. Somos todos irmãos. Se colocar na posição do outro e compreender como um ser humano com eu escolhe vivenciar uma religião diferente de mim, ter uma visão diferente,  outro lado da Verdade. A Verdade tem vários lados, muitas visões e nós temos muita dificuldade de aceitar o lado oposto da nossa visão. Porque vivenciamos a cultura da guerra e esta cultura nos faz querer ter a razão e quem tem razão deixa de ser feliz na maioria das vezes.
Só aceitamos quando conhecemos, então devemos conhecer o diferente. O conhecimento possui quatro pilares: a arte, a filosofia, a tradição sapiencial e a ciência. Então precisamos entender cada tradição, todas as filosofias de vida, todas as artes e todas as ciências. A busca pela Verdade.
Quando aceitamos a realidade estamos dando o primeiro em direção à transformação. Devemos transformar, incessantemente, este paradigma para o da cultura de paz. Passar do verbo intolerar para o ACEITAR.   A aceitação da fé do outro passa pela caridade, pela bondade, pela generosidade, pelo respeito a Deus, PELA COMPAIXÃO, pelo SAGRADO[2].

A intolerância religiosa é o Bullying. Sim bullying. Bullying não é só escolar; é militar, é social, é religioso, foi criado pela cultura de guerra. Bullying é uma expressão em inglês que significa toda a violência não física, todo o tipo de agressão e condutas verbais, desde os simples insultos, a fazer piadas e gozações, o uso de apelidos cruéis a ridicularização. Bullying é uma forma de pressão social que acarreta, por vezes, traumas muito importantes na vida dos seres humanos que são sujeitos diariamente a este tipo de maus-tratos.  Bullying é assédio, é intimidação, é implicar, é agressão social.

A intolerância religiosa é racismo. O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. Ao longo da história, a crença na existência de raças superiores e inferiores -- racismo -- foi utilizada para justificar a escravidão ou o domínio de determinados povos por outros. É cultura de guerra, um povo de poder sobre o outro em todos os níveis inclusive de impor a crença religiosa. Vemos isso diariamente na TV.


O Dia da Consciência Negra foi criado para retratar, sistemática e permanentemente a disputa pela memória histórica de um povo que teve seus direito abolidos pelo poder de outro povo que acredita na cultura de guerra.  Preservar a memória de um povo é uma das formas de construir a história.  
Faz parte da história de um povo a arte, as tradições, a filosofia e a ciência desse povo. Dentro do pilar das tradições do povo africano, atualmente no Brasil, podemos falar dos rituais de matriz africanas ou os afro-brasileiros como a umbanda e o candomblé que faz parte desse movimento. Entretanto, vemos que há muita gente que faz parte do movimento negro que repudia a religiosidade das divindades africanas, dos orixás e essas pessoas do movimento negro praticam o racismo, o bullying religioso por não aceitar a origem de mais de 5.000 anos de existência da religião de matriz africana.  Observamos o que esta acontecendo no mundo.

Teerã passou pelo grande encontro, pelo dia do sacrifício. O Eid al-Adha ou "Festa do Sacrifício" muçulmana marca o fim da peregrinação anual à Meca. Segundo a tradição islâmica, é uma celebração em memória da disponibilidade de Abraão de sacrificar seu filho Ismael para Alá - na hora do sacrifício o menino foi substituído por um carneiro[3].

Precisamos desenvolver o paradigma de PAZ[4].  Paz é dança. A paz é o caminho como nos ensina Gandhi. Paz é o abraço afetuoso. Crema nos ensina que devemos lutar pelo Ser e não pelo ego.

A cultura de paz nos ensina a compartilhar, a viver no Sagrado, a aceitar a vida humana em sua plenitude, em sua inteireza, é transformar o mundo num mundo melhor, é ser a transformação que você quer no mundo (Gandhi), é fazer o mundo um bom lugar para se viver, é abandonar os dramas, as dores, o pessimismo, as frustrações. Viver em paz é desapegar, é transformar, é transmutar, é viver consciente, é viver a entrega, é estar disponível, é estar a serviço da Luz.
Estar a serviço: o viço do ser. É focar a lei do amor. É estar vazio do ego e dos apegos.
Oh Mestre! Fazei-me um instrumento de vossa Paz. São Francisco de Assis

Onde esta o Sagrado. Dentro de você, em sua volta, no mundo, no cosmo, em Deus? Onde esta? Dentro dos templos, na natureza, no ser humano, na vida? Onde e quando eu vivencio o sagrado? Vamos refletir.

                                                Oração Dos Nativos Africanos Pela Paz[5]

Deus Todo Poderoso, Grande Polegar que ata todos os nós, Trovão que Ruge e parte as grandes árvores; Senhor que tudo vê até as pegadas do antílope nas rochas, aqui na Terra, Vós sois aquele que não hesita em responder a nosso chamado. Vós sois a pedra angular da Paz.

Axé de Paz e Luz!

Obs. Convidamos a todos para participar no dia 22 de novembro, do debate sobre o assunto desse artigo
Horário: 10h00min
Local: CELESC
Palestrante:
Babalorixá Oba Oso Pakin Thibes
Tatalorixá Kátia Regina Luz d’Omulú
Profº. Evandro de Oliveira Brito


[1] CREMA. Roberto, Saúde e Plenitude. Um caminho para o ser. São Paulo: Summus, 1995.
[2] ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. [tradução Rogério Fernandes]. – São Paulo: Martins Fontes, 1992.
[3] Fonte: terra.com.br. http://pt.shvoong.com/humanities/1773371-que-%C3%A9-bullying/#ixzz2AV4NEtPV
[4] FHB – Formação Holística de Base da Unipaz
[5]  Fonte: unipazsc.org.br

domingo, 15 de julho de 2012

Simbologia, mensagem e conexões



Saravá irmãs e irmãos de fé e de caminhada evolutiva,

Noutro dia preparando uma apostila para ser distribuída num retiro, busquei uma figura que representasse a paz, o espírito e principalmente a conexão com o Poder Divino, pesquisava sobre várias figuras até que foquei na simbologia do pombo branco, que inicialmente acreditava que era a ideal, no fim... nada usei, pois ficou nítido que formatar uma conexão deixa de ser a própria conexão.

No outro dia (11), por um momento, o comentário do repórter na TV chamou minha atenção quando disse que durante quase 20 horas, um pombo branco tinha entrado na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro do Rio, durante o velório do arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal dom Eugenio de Araujo Sales.

Relembrei o dia que recebemos a noticia da passagem de uma pessoa muito querida e importante na nossa vida e na vida religiosa da nossa fé. Eu, meu pai e minha mãe Dilma de Iemanjá (in memoriam) estávamos almoçando no mercado público da cidade de Curitiba, ambiente todo fechado, quando de repente entrou dois pombos brancos e pousaram a cima das nossas cabeças. Logicamente chamou a atenção de todos este episódio por ser raro. Segundos após o telefone celular da mãe tocou e recebemos a noticia do desenlace do sacerdote pai Evaldo Linhares de Oxalá, fundador da Tenda Espírita Jesus de Nazaré.
Conexão... a conexão aconteceu.
O que simbolizou o pombo branco no episódio do arcebispo?
O que simbolizou o pombo branco no episódio do pai de santo?

A criação e o uso de símbolos, desde sempre, foi um eficiente método de comunicação humana.  Por meio da simbolização o homem pode exprimir seus medos, anseios, sonhos e preceitos religiosos. O pombo branco simboliza em várias tradições a paz, o espírito (ave). Dentre as tradições vimos à pomba branca da paz, a pomba branca do Divino Espírito Santo, o pombo branco de Oxalá.

Para a religião católica, a pomba branca teve sua origem ainda na história da arca de Noé. Noé enviou uma pomba e retornou com um ramo de oliveira no bico. Isso, de acordo com a narrativa bíblica, a ave simbolizava a paz entre Deus e os homens. Outro significado para a igreja católica é que o espírito de Deus tenha descido a terra em formato de pomba no dia em que Jesus nasceu. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Outra história bíblica que confere a esta ave luz e paz. Assim que Jesus foi batizado, o espírito de Deus desceu sobre Ele em forma de uma pomba. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Vimos também que no Novo Testamento, em Lucas 2:24, aparece o sacrifício de pombas que simbolizam a purificação de Maria depois do nascimento de Jesus, “e se ofereceu em sacrifício, como estava na Lei do Senhor, um par de pequenas pombas”.

Os antigos eslavos acreditavam que, depois da morte, a alma tomava a forma de uma pomba. O culto à pomba é encontrado na ilha de Creta e no império hitita da Ásia Menor, como símbolo da paz, da fidelidade conjugal, da pureza, dos costumes, da resignação e da simplicidade. A grande deusa de Cnossos levava uma pena em sua cabeça, sinal de seu grande poder. Entre os hititas, a deusa Astarté também ostentava uma pena de pomba como sinal de divindade. Na Grécia, as sacerdotisas de Zeus eram conhecidas como “pombas”. Elas são citadas por Ovídio, Pausânias e por Homero. A pomba foi associada com a Afrodite grega (Vênus dos romanos), simbolizando o erotismo e a sensualidade. Contudo, na arte cristã, essa imagem é gradativamente suprimida, sendo substituída pela imagem da mulher pura e casta, exemplificada pela Virgem Maria, antítese da pecadora Eva.

A associação do pombo ao fogo, como vemos no Espírito Santo, também aparece em lendas Budistas e no Oriente. No Cristianismo é associado à pureza. Na China simboliza a fidelidade conjugal. Na Índia é considerado o pássaro da alma. Entre os Alquimistas a pomba branca é o símbolo da limpeza da matéria prima a caminho da transformação.

No candomblé vários mitos envolvendo Oxalá menciona um Pombo Branco. Foi esta ave que acompanhou Oxalá na criação do mundo e é utilizado seu simbolismo em destaque em seu opaxorô que é seu cajado, em terreiros de candomblé como não há sincretismo a figura mais usada é o Pombo Branco sob o globo.
Na Umbanda o pombo é considerado o mensageiro de Oxalá, e é ele que leva nossos pedidos até Ele como um ponto conhecidíssimo que diz:
Pombinho branco, mensageiro de Oxalá, Leva esta mensagem, Com todo coração Até Jesus. Vá dizer que somos soldados de Umbanda, Que marchamos até o Calvário Carregando a sua cruz.

Tem um ritual muito bonito que é muito interessante de executar para obtermos um ambiente de paz, harmonia e equilíbrio em nosso lar: se pega um pombo branco vivo, e passa em todos os cômodos da casa, menos o banheiro, depois encostamos o peito do pombo em nossa testa e fazemos um pedido, depois vamos a um lugar aberto e soltamos a ave para que ela leve nossos pedidos a Deus.

Como podemos perceber o pombo branco é só uma ave e possui milhares de significados.

Como questionamos anteriormente sobre qual o simbolismo que o pombo nos trazia caso do pai Evaldo e do arcebispo, concluo que tenho uma visão: o pombo traz a mensagem: este homem tornou-se um sacerdote, doou sua vida ao bem coletivo e hoje retorna a casa do Pai em paz. O exemplo foi deixado, honra-o, pois sua vida, independentemente do lado homem de cada um, foi a dedicação ao Divino e a Verdade foi sua missão, sua luz e sua conexão que deixou a OBRA REALIZADA. No caso do sacerdote de Umbanda, pai Evaldo de Oxalá é a codificação da Umbanda no que concerne ao ritual de Almas e Angola nas sete (7) imersões sagrada de um discípulo.

Axé de paz e luz!

domingo, 17 de junho de 2012

Espadas que matam o Ódio e as lanças que lançam o Amor




            O mundo nos oferece provas das mais variadas formas que nos atingem conforme a nossa vibração espiritual. Se vibrarmos em freqüência baixa, não conseguiremos superar as provas com força e determinação. Se não houver uma mudança de atitude perante as vicissitudes da vida, não conseguiremos superar as limitações e dores.
             Lutemos fervorosamente como guerreiros de Ogum com sua energia e força para vencer as situações frívolas que atravessam o caminho. Ora, Guerreiros de Ogum! As batalhas a serem combatidas e que precisamos vencer é o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a inveja e a ignorância que obscurecem nossos corações.
            Guerreiros que estão com as armas baixas, sem manutenção, guardadas na consciência ociosa, levantem do sono profundo e da alienação do materialismo! Bebam da coragem de Ogum! Arregacem as mangas, amolem suas espadas e lanças e lutem bravamente contra o turbilhão negro de vossas almas!
            As espadas e as lanças, que vos falo, não são para sangrar teus irmãos e sucumbi-los à morte, são as espadas e lanças que matam o ódio e lançam o amor ao horizonte amargo do desamor e desunião, consequência do materialismo terreno que entorpece vossas almas.
Que as espadas imantadas pelo magnetismo do bem, nos momentos necessários da vida, sejam instrumentos para cortar as ervas daninhas que atravessam a caminhada e combatam os revezes da vida, que na inquieta ignorância, por instantes, avançam e retrocedem, mas que diante da grande caminhada universal sempre nos fazem evoluir para um plano divino de amor
            Usem a vossa espada com força e altivez para vencerem os obstáculos que são apresentados em vossos caminhos na condução da sua evolução espiritual. Usem a lança para lançar o amor na direção do ódio.  Que a espada e a lança do guerreiro cavaleiro Ogum, que conquistou grandes reinos, possam fazer parte de suas vidas para conquistarem o reino de amor que existe dentro de vós.
            A espada e a lança que cada um de vocês tem são os talentos que o pai maior vos deu para serem utilizados em suas caminhadas na promoção do bem e da paz mundial. A magnífica espada, forjada com a energia da falange de Ogum, nas mãos de um guerreiro corajoso, liberta a consciência do ócio e se engaja na luta contra a sombra escura, conduzindo a emancipação das almas rumo à senda da luz. A lança construída com o axé oguniano deve ser lançada com a consciência de que atingirá o maior alvo que nos foi dado como missão terrena: o amor ao próximo.

                                                                                      Pai José de Angola

Mensagem psicografada pelo Médium Wellington Pereira de Queirós em Florianópolis, SC,16/05/2012 inspirada pelo espírito Pai José de Angola na sede da ABTURI – Casa Luz d’Omulú